03 novembro, 2017

Estou farto de o dizer, Euridisse, só num país de poetas se apaga o fogo com poesia, diz o poema

 Sou a única vitima
do meu incêndio
e não tenho feito outra coisa
que manter a chama acesa
dilu Ente


 Se tivesse uma Palavra
dava-a
dilu Ente

O silêncio das punhetas


A minha cabeça é uma bandeja
que boceja


ou vice-versa


no dia dos meus anos
ofereceram-me numa bandeja
a minha cabeça
como pedido tinha ao pai natal


dilu Ente


 Há quem se feche num sonho e declare independência
mas é o que os pesadelos fazem
dilu Ente



O tempo essa revolução, diz o poema

Ao passear na linha do horizonte
deambulando entre o real e a ficção
encontrei uma visão
ferida de morte


diz que foi atingida por um poema contrafeito


dilu Ente




Em cada palavra
as minhas cinzas
conspiram
dilu Ente



O impossível é possível
assim que este se imola
como significante à falta de oração
a emoção tem línguas de fogo
como asas
dilu Ente
Eu não acompanho o meu carrasco, diz o poema
lugar nenhum
a distância entre duas luas
dilu Ente







Eles, os poetas, não me ouvem
entretidos que estão a domesticar o indizível
dilu Ente





23 outubro, 2017

Vim aqui lançar um clássico, diz o poema

Crisântemos de Abril *, de Luís Oliveira, CanalSonora edição, 2017, por A.Dasilva O. apresentado no passado dia 21.


Vim aqui lançar um clássico
Nada há de mais clássico
Que o primeiro livro
Onde a musa lança a primeira pedra
Como um ser vivo
não humano mas um clone
um Outro que lhe é intrínseco
 Lhe diz tens mãozinhas e pezinhos
faz-te à vida que a morte
é uma livraria onde se decom-põem
 as centenas de livros editados diariamente como um caso sério
De senilidade da nossa cultura, ciência e politica

Tal como as cavernas casas o livro 
constrói-se com os cornos enfiados na terra

Poesia é uma flor que floresce depois de morta

A necessidade de novas metáforas para alimentar o sistema
Faz fome de  dialéctica depois de falhar três vezes
e de contaminar o espírito do seu tempo com a ambrósia
das  águas placentas engarrafando-as
para dar à luz a Fénix e as suas ruínas

Nas suas trevas
deambulamos
como gado
num aido

Bem-vindo ao mundo  das trevas

Os poemas são factos desconhecidos
que dão vida ao impossível
espírito cientifico
Pois em si reúne o Poeta
a Pedra e o Bisturi


E a eles não te atrevas
senão
cumprir a tua tarefa  da necessidade de poetas do erro sistemático que perturbem o normal funcionamento do sistema

Só poeta Ser-hás-de depois de negares o teu primeiro livro
Mesmo que a vida passes a escrevê-lo
A rasgar
A escrever
A rasgar
A emendar
A cortar
Até te queimares
Sem deixar resíduo



Bem-vindo ao mundo dos mortos



Um elevador chamado eu sou
Mas não sou mas se o sou por necessidade de nada ser
Sem o mal do mundo
Na ausência de gravidade
E inexistência duma só realidade, mas todas
Na tarefa     de o ser impossível senão outro

entrar  em negação
deambulando bêbado de néctar e ambrósia

De boas intenções está a poesia farta
e dos seus apócrifos livros cheios de poemas insubstituíveis

Mugir as palavras
tens

A pulso deves
Mugi-las
Para lhes sacar  a ambrósia e o néctar

Também elas se cansam de nós

As palavras têm cérebro memória e medo de não serem ditas

As palavras são como  cervejas fazendo da vida um inferno
Esse bolo poético (à base de ambrósia e néctar) com a verdade em cima
Com que dás vida ao cadáver esquisito



*Crisântemos flor preferida para acampar no dia dos mortos (e/ou fieis defuntos), nos cemitérios tem/tinha  um nome de guerra , entre as floristas no mercado do Bolhão no Porto,  de Salazares.



20 outubro, 2017

PIOLHA # 23 Toda a revolta sai-me do corpo, diz o Poema

PIOLHO Revista de Poesia

« Tudo é diverso em tudo. Retirai do espírito a ideia de que algum ser tenha sido modelado pelo vosso»       
  La Fontaine  
 

Ana Barbeiro, Maria Afonso, Sílvia Silva,
Sónia Oliveira, Alexandre Couts,
Luís Oliveira, António Pedro Ribeiro,
Sérgio Ninguém, Rui Azevedo Ribeiro, 
Francisco Cardo, António S. Oliveira,
Miguel Sá-Marques, António Vitorino,
Jorge Velhote, m.parissy, Helder Moura
Pereira, Pedro Jubilot, Humberto Rocha,
 António Ladeira,
Miro Teixeira, Rui Carlos Souto,
Dinis h.G. nunes, Nunes Zarel·leci,
Luís Serra, Luís Ferreira, José Guardado Moreira, Raúl Simões-Pinto, Pedro Águas,
Teixeira Moita, António Geada,
Amadeu Baptista, Noel Leopoldo Petinga,
André Quaresma
 A. Dasilva O.(autor das fotos de dizeres anónimos inscritos nas paredes, na cidade do porto)
e La Fontaine

fazem mais ou menos por esta desordem este
duploNúmero
PIOLHA a Revolução
o vigésimo terceiro outubro 2017
Arranjo gráfico e Capa: Meireles de Pinho
Editor: António S. Oliveira

Tiragem: 200 ex.
Edições Mortas  www.edicoes-mortas.com
www.edicoes-mortas.blogspot.com
Black Sun editores


09 outubro, 2017

Eis a capa e os colaboradores do próximo número duplo da PIOLHA A REVOLUÇÂO, diz Piolho # 23 em trabalhos de impressão, tenha uma lá pra finais de Outubro

Eis mais uma capa do artista Meireles de Pinho



PIOLHO Revista de Poesia

« Tudo é diverso em tudo. Retirai do espírito a ideia de que algum ser
 tenha sido modelado pelo vosso»       
  La Fontaine  
 

Ana Barbeiro, Maria Afonso, Sílvia Silva,
Sónia Oliveira, Alexandre Couts,
Luís Oliveira, António Pedro Ribeiro,
Sérgio Ninguém, Rui Azevedo Ribeiro, 
Francisco Cardo, António S. Oliveira,
Miguel Sá-Marques, António Vitorino,
Jorge Velhote, m.parissy, Helder Moura
Pereira, Pedro Jubilot, Humberto Rocha,
 António Ladeira,
Miro Teixeira, Rui Carlos Souto,
Dinis h.G. Nunes, Nunes Zarel·leci,
Luís Serra, Luís Ferreira, José Guardado Moreira, 
Raúl Simões Pinto, Pedro Águas,
Teixeira Moita, António Geada,
Amadeu Baptista, Noel Leopoldo Petinga,
André Quaresma
 A. Dasilva O.(autor das fotos de dizeres anónimos inscritos nas paredes, 
na cidade do porto)
e La Fontaine

fazem mais ou menos por esta desordem este
duploNúmero
PIOLHA a Revolução
o vigésimo terceiro outubro 2017
Arranjo gráfico e Capa: Meireles de Pinho
Editor: António S. Oliveira

Tiragem: 200 ex.
Edições Mortas  www.edicoes-mortas.com
www.edicoes-mortas.blogspot.com
Black Sun editores






21 setembro, 2017

13 setembro, 2017

09 setembro, 2017

Fel Actio,diz o videopoema



FEL ACTiO um VI   DEOS de A. DASIIVA O.
filmado espontaneamente no café piolho, porto, 
no passado dia seis do corrente mês,
intervenientes: Freeno e Jeeno. que feelalmente exigiram que repusesse a sua verdadeira identidade dado  não terem nada a esconder do que em público e de livre vontade e em nome da liberdade promoveram. Honra lhes seja feita a estes dignos filhos de Luís Pacheco que deve, roído de inveja, estar a dar voltas no túmulo


diz o poema:
quando os extremos se beijam
acontece o que acabamos de observar
Ser extremo
é
ser fonte de extremos
onde se tocam
beijam e entrincheiram
para de novo se confrontarem


04 setembro, 2017

Se virem aí uns livros nojentos, vis e medíocres A cheirar a sovaco de cadáver mal morto A transpirar escárnio e mal dizer A ferrar a mão da auto-ajuda A desfazerem-se em desmitificação do culto da bruxaria, do bem de pensar e de todos os seus restos mortais Calcem umas luvas e comprem-nos todos e queimem-nos




Se virem aí uns livros nojentos, vis e medíocres
 A cheirar a sovaco de cadáver mal morto
A transpirar escárnio e mal dizer
A ferrar a mão da auto-ajuda
A desfazerem-se em desmitificação do culto da bruxaria, do bem de pensar e de todos os seus restos mortais
Calcem umas luvas e comprem-nos todos e queimem-nos
não os leiam
provocam as perigosas e mais silênciosas  imortais doenças
e começam por provocar o escorbruto

São a vergonha da nossa literatura nacional
Uma vergonha


Depois não se queixem
Não digam que não foram avisados
'





24 agosto, 2017

Engarrafados à página-em-carbono, diz o poema

Carta de Herberto Helder a Gastão Cruz encontrada a boiar dentro nessa rede-garrafa Facebook


A ciência dos poetas, filosoficamente maus, mas po eticamente ciêntíficos. Se àqueles basta meter um poema e uma página em branco e atirá-los ao mar, para este:

Como se pode criar Vida dentro duma garrafa. Basta dispor de um balão de vidro cheio de gases presentes no Universo. Poderemos, à escolha, seleccionar elementos correntes do meio ambiente da Terra, de Júpiter ou de Urano. Acrescentam-se algumas descargas eléctricas de tipo solar ou alguns raios ultravioletas. Dez minutos mais tarde, obtém-se uma matéria amarela que tende progressivamente para o castanho. Reproduziu-se a vida ou, pelo menos, os elementos constitutivos da vida. Esta espécie de alcatrão que se forma nas paredes do balão é feita de moléculas à base de carbono. Ora, nós somos todos «feitos» de carbono!, diz C. Sagan


17 agosto, 2017

ÓPIA








que se foda
isto
puta que pariu
aquilo

quisto
não tem
pernas
para andar
mas
cem
para matar

como quem
esfrega
mostarda
no cu
do outro
corno

que quem
o pariu
é uma
santa que o pariu
mal morto
num mar
de lágrimas
quando
o andor
caiu e se pôs
a andar
sobre as águas
trapacentas

acentas
em sebentas
que nem
uma bala
perdida



14 agosto, 2017

O NOME DO FOGO

O nome do fogo
Tinha um vizinho que se chamava Fogo. Homem de meia idade, educado reservado e sujeito de poucas palavras: bom dia, boa tarde e boa noite. Por estas alturas era alvo de humor devido aos incêndios.
Há muito que não o via. Uma vez arrisquei a perguntar por ele e a resposta, dada por alguém, pensando que estava a ser alvo de gozo:  Aparece todos os dias nas várias televisões.
Subi ao seu apartamento e toquei várias vezes à campainha.
No dia seguinte dirigi-me à policia e relatei o caso. Ao contrário do que podia supor. Fui ouvido com muita atenção e crivado das eternas questões normais nestes casos. Se era familiar?  Amigo? Conhecido?. Vizinho. Apenas e de poucas palavras trocadas.
Depois de visionar um número absurdo de álbuns com fotografias de suspeitos? Desaparecidos? Limitei-me a não fazer perguntas.
Não encontrando o sr Fogo em nenhuma das imagens, fui estranhamente convidado a ir à medicina legal para uma identificação de cadáver. Aceitei mas com a condição de fazer uma questão. Concordaram responder se a resposta não estivesse em segredo de justiça, e, claro se soubessem a resposta.
Não seria melhor visitar o apartamento onde o sr. Fogo residia? Fica no caminho responderam a sorrir.
Avançamos a alta velocidade sob forte cheiro a queimado e chuva intensa de faúlhas. A cidade está cercada pelas chamas.
Junto ao edifico da medicina legal somos informados que o apartamento do sr. Fogo está vazio e sem qualquer indicio de violência e completamente vazio.
Surpreso exclamo: mas esse apartamento é o meu.